domingo, 10 de janeiro de 2016

10/01/2016

Coração mais do que partido, paixão mais do que forte, inunda a alma, não me deixa em paz, traz ante meus olhos aquele olhar malandro, garoto, sincero e falso.  Falso?  Ou é minha culpa que me faz pensar isso, me castiga por preconceito, por achar que estou errada, que sou perdida e traidora.

Traidora, por quê? Creio que sou mais machista que muito homem. Afinal, quem eu amava comportou-se de jeito estranho, tentou enganar-me, não conseguiu, tenta até hoje esconder um amor que... eu posso achar ruim, mas que deve deixá-lo satisfeito e feliz. De outra forma não agiria como agiu.

E essa paixão que me pegou sem defesa, de improviso e feroz, que me queimou por um ano e ainda queima, sem dó nem piedade.  Acho que não sou correspondida, tento dizer que ele é o canalha de Nelson Rodrigues, no minuto seguinte já sonho coisas impossíveis, por na verdade acho que não sou correspondida. Rezo para ser.  Desejo que um dia eu seja digna de receber o que existe de ternura naquele peito, mas que não é para mim.

Invejo o amor que dedica à família, tenho uma inveja infinita daquela felicidade, penso que nunca ele a dará para mim.

Jamais vou magoar quem gosta de mim, apesar de tudo, apesar de não ter querido isso, apesar de ter apenas me desejado e, com o tempo, acabou vencido por alguma coisa de bom que tenho em mim.

Se instinto, intuição, pressentimento, querem dizer e podem significar alguma coisa, eu acho que sim, que sou desejada e querida. Mas a cabeça diz que não, que é carência brutal da minha parte.  A vida, ou Deus, algo, vai mostrar a verdade. Só espero que seja a tempo de ainda poder me entregar. 

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