Acho, o quase tenho certeza, de que meu coração continuará assim por muito, muito tempo.
A lembrança do deslumbramento daquele beijo, a paixão que me devorou até queimar meus ossos, os sonhos (que eu sabia sonhos) que me iludiram, tudo foi gravado a ferro quente de paixão, inesquecível.
Vivi. Tornei a viver nas muitas vezes em que lembrei. Mas, viver sempre, é preciso. Aprendi. Então, para seguir em frente, meu corpo, ou alguma coisa incontrolável em mim, foi apagando o fogo, diminuindo a intensidade da paixão, enterrando lembranças. Juntou tudo, formou uma linda e brinlhante pérola, e a enfiou no colar que tenho na alma. Segue em frente, Thereza. Embora essa última pérola de vez em quando gire com força no fio, querendo se soltar. Com a mão, seguro. Porque vivo com meus semelhantes e deles sinto falta.
Amar desse jeito é tido como ridículo. Dar-se sem esperar nada em troca, estúpido. Queria, apenas, que meu querido soubesse que nada exijo, que dou pelo prazer indescritível de dar, entregar, abrir a alma, rasgar o peito, mostrar a pequena que sou e quanto me aumenta o amor que dou. Será que sente? Será que percebe? Como são os homens? Terão medo de mulher assim, que se entrega sem lmites? Serei... inconveniente? Hipótese que me enoja, me entristece e envergonha. Um homem inteligente, corajaso, não aguentaria?
Antes que eu desanime, vou pensar que tenho razão, que sou tudo isso e mais ainda e que um dia, ele vai me procurar e dizer, apenas dizer, que sentiu vontade de mergulhar em mim mas teve medo. Mas pode mergulhar quando quiser, direi.
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