Duvida? Pois foi, pela segunda vez.
AJ é apaixonado pela empregada. E... também um pouco por mim. Mas ele pede a ela que não demora, termina a conversa com beijo, e a mulher é um horror de feia. Pois a verdadeira senhora Arturo J. C. Alcorta é ela.
Ficou evidente no hospital. Comigo, briga. Com ela paz. Na verdade eu gostei de saber. Algo em mim, não sei se resto de amor, se gratidão pelos anos de boa companhia que me ajudou na caminhada solitária da minha vida, a saber morar sozinha e a tocar em frente um trabalho, me obriga a cuidar dele. Foi o que fiz, desde o tombo, e farei, até amanhã, quando vou despachá-lo para casa, no taxi, com o cuidador e a cuidadora, que o levarão até o apartamento e vão ajeitá-lo não sei como.
Quem paga sou eu. Um irmão já dá o convênio, a irmã se recusa a pagar os 2.400 dos 15 dias e o filho... não sei. Isso é o que posso fazer, pois estou sem serviço e a empresa BKS também. Está parada.
Coração rasgado, rasgado de novo, descobrindo essas coisas sutis, de que ninguém suspeita, juntando com outro segredo, este tão querido, tão desejado que não sei como continuar.
Ele agradece, mas o conforto da vida dele está com a empregada. Que seja. Começo a fazer uma separação que nem suspeitava que seria assim. Pretendo, quando ele estiver instalado e acostumado, tratando de reaprender a andar e a tocar a vida em frente, aceitar o convite de Sandra, uma amiga insuspeita que tem casa na ilha Bela. Um pouco de praia e mar, mesmo no inverno, me fará bem.Gente nova, quem sabe, pode dar um caminho novo, abrir portas.
Mas também vou investir na empresa BKS, aproveito a solidão aqui em casa, para ir até lá aprender mais, investir na empresa e ver se faço um trabalho melhor. E a expandir. Meu sonho trabalhista, atual, é conseguir uma colocação no Estadão. Vou conversar com a Alessandra, colega de ginástica, que lá trabalha. Quem sabe? Talvez ela saiba uma porta de entrada insuspeita para outros.
Duas vezes rasgado, pela paixão desprezada, ou ... ou? Na verdade escrevi ao cobiçado que não sei o que seja desistir, o que é veredade. Mas o segundo rasgo foi a confirmação, ou a jogada na minha cara de toda a verdade que eu não queria aceitar; esse amor duplo do AJ. Na verdade eu sei que todo homem faz isso, se divide. Não sei se por insegurança, se por ter sido ferido antes. Ou por imaturidade mesmo.
Pois então, é melhor eu encarar fatos. Um me rejeita por medo, tenho certeza. O outro, não rejeita mas me coloca no lugar de educada e companhia para amigos. Pois a "outra" não conseguiria preencher esse papel.
E não sei atrair um homem conveniente. Aliás, nem gostaria. Gosto mesmo dos complicados, cafajestes, enganadores, medrosos e bons de cama.
Chega. Uma das coisas que farei de hoje em diante é escrever um pouco todos os dias. É preciso, se quero escrever algo melhor.
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